sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O teu dom de se esconder de mim só é menor que o meu de não te achar


Pensamentos aleatórios, egotistas e fantasiosos sobre a rejeição, paranóia e outras patologias.

Na verdade, eu não sei se acredito em algo.
Não tenho coragem de ser cética.
E nem força pra acreditar em tudo.
Eu não ouço a minha intuição.

Você nunca está ali.
Só a minha imaginação.
Eu nunca sei o que pensar.
Você nunca sabe o que dizer.
Eu acordo todo dia.
Eu visto a máscara todo dia.
E você não me vê.

Se eu pudesse, faria música.
Se eu pudesse, escrevia um livro.
Se eu pudesse, pinatava quadros.

Mas acordo todo dia.
E você não me vê.


terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Sonâmbula


Não é medo.
Nem falta de coragem.
Muito menos idealização.
Eu não sei ler pensamentos.
Eu não sei sentir pelos outros.
Eu não sei jogar.
Eu não quero jogar.
Não me peça para entender.
Se você me aponta duas direções.
Sua semântica não é a minha.
Seja claro, seja cruel, mas seja exato.
O que enlouquece é a falta de conclusão.
Não a realidade.
Acredite, não estou fugindo dela.
Só você.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Álcool e ironia



Buscando um novo rumo...

Um lugar distante, só meu. Não há ninguém por perto. Uma casa, e eu sei que é pra mim, sei que ela está lá pra mim. Eu entro, e as paredes são verdes. As janelas de madeira estão pintadas de roxo. Tem uma cama dentro do quarto, baixa, de aço, daquelas de hospital em filme da Segunda Guerra Mundial. Num armário velho e tombado em um canto, uma vitrola. E alguns discos. Escuto a voz de Billie Holiday arranhar o silêncio. E vejo que, embaixo da janela, há um baú. Velho, as arestas cor de cobre desacascadas. No baú, um diário. Um diário que conta toda a minha vida, em detalhes. Todos os erros, os acertos, tudo aquilo em que eu procurei não pensar está ali, escrito e registrado. Meus amores, minhas dores, minhas mentiras. Momentos em que eu não me orgulho de mim. Leio, paro, rôo as unhas. Tento dormir. Pego o diário de novo. Saio para dar uma volta. Volto a ler. Começo a rir, descontroladamente. Pulo capítulos. Largo novamente a leitura. Respiro fundo. Leio os capítulos que pulei. Sorrio involuntariamente em certas passagens. Dou socos na parede de ódio de outras. Mas continuo lendo. Sinto medo, vergonha, orgulho, alegria e a mais profunda tristeza enquanto mudo as páginas. Mas não posso mais parar de ler. Leio a descrição desse mesmo quarto, e do mesmo baú. Viro a página, e está tudo em branco. Aí penso.

Cada folha é originalmente branca. Cada folha originalmente, não contém uma história. Cada história não é feita de folhas, mas sim de palavras. Cada vida não é feita de dias, mas sim de escolhas. O problema é quando a gente tenta escrever por cima do que já passou. Ou quando a gente espera demais, e quando vê, o livro acabou. E a gente não escreveu nada.

Cada minuto, cada página é uma nova chance. A chance de uma vida.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

There's a poem that she wrote and hid under the mattress,
And if you find it please leave it alone.
With a picture she took of a girl on the subway,
With orange barrettes and the saddest face she's ever known.
As Rachael starts to wonder was it hers to begin with,
Or was the memory from someone else's sleep?'
Cause there's a hole in her heart that still harbors a question,
Whose answer just might break it so she's hanging on.
At least it's her to keep.
So I asked her...
"What if this does not belong to you,
And all these things you thought were true
Turned out to just be someone else's lies.
"Baby this does not belong to you,
This does not belong to you,
This does not belong to you.
There's a fleck in her eye that no one ever noticed,
A pretty birthmark for such a beautiful face.
All the men from her past seem to have left her abandoned,
I guess there's some things that you can never erase.
I've seen her play with her hair in a moment of tension,
I've seen her with her guard down ready to cry.
But there's a whole in her heart that still harbors the question,
Whose answer just might break it, still she's hanging on,'cause no one wants to die.
Then she asked me...
"What if this does not belong to you,
And all the things you thought were true
Turned out to just be someone else's lies?"
Baby this does not belong to you,
This does not belong to you,
This does not belong to you."
What if this does not belong to you,
And all the things you thought were true
Turned out to just be someone else's lies?"
'Cause baby this does not belong to you,
This does not belong to you,
This does not belong to you.
(Rachael - She Wants Revenge)

Sou eu.


quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

"And now we all know the words were true"


Não quero falar sobre o que já foi. Nem fazer um balanço sobre tudo o que aconteceu. Foi ruim, e foi bom. Mais bom do que ruim, no geral. E não quero fazer longas digressões sobre como "não foi bem assim". Foi o que foi, e o que significou no momento, embora agora seja apenas uma lembrança.

Incomodou. Doeu. Mas passou.

Mas não desejo suavizar, não quero que seja "e quando acaba a gente pensa que ele nunca existiu". Não há o que dizer. Não há o que fazer. Não há mais nada pra sentir. Mas eu não quero amenizar o que foi, pra mim, avassalador. Pois só o ser humano possui essa capacidade de deturpar emoções e situações já vividas. E pode tirar algo disso, ou pode não tirar nada.

A maioria não tira nada.

Fica por aí dizendo que, no fim das contas, perdeu seu tempo com algo que não valia a pena. Não vou dizer que não valeu a pena.

Foi real pra mim. Mas acabou. E ponto.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

She said unpredictability is my responsability, baby


"Great Expectations"


Tatral. Megalomaníaca. Síndome de Peter Pan. Não acredito em amor à primeira vista. Não sou legal. Não tô dando mole. Não sei sentar usando saia. Não penteio o cabelo. Sou indecisa. Sonho acordada. Ainda escuto Spice Girls. Choro em filme. Adoro contos de fada. Torço sempre pelo malvado. Surto uma vez por semana. Acho minha mãe o máximo. Tenho mesmo celular há 4 anos. Não fico brava com ninguém por mais de 24 horas. Uso xadrez com estampa de bolinha. Só raciocino depois do meio dia. E olhe lá. Toco air guitar, air bass, air drums e air piano. Rôo unha. Romântica incorrígível. Falo com a televisão e com o computador. Sempre esqueço a luz acesa. Queria ser o Iggy Pop. Sou grossa. Falo muito palavrão. Escrevo mas raramente deixo alguém ler. Mudo radicalmente de corte de cabelo pelo menos 3 vezes ao ano. Amo sorvete de pistache. Queria ser o Chaplin. Sarcasmo é a minha razão de viver. Amo fazer piadinhas politicamente incorretas. Sou fera em Pac Man. Nunca tô de bom humor. Não pratico o tal do pensamento positivo. Odeio quem grita 'Urrrul'. Gosto de autenticidade. Crio situações impossíveis. E falo pelos cotovelos, como dá para perceber....




Estou em constante crise, em constante construção e constantemente inconstante....

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

She buys a new dress for the party, she always looks good in red, turns around, in front of a mirror, and disappears inside of her head...


Não faço resoluções de ano novo.


Nem simpatias


Não uso branco


E não acho que é um recomeço


Todo dia pode ser um recomeço, ou mais uma porta pro final.


É só uma questão de se decidir.


Ou não.


De qualquer maneira, estabelecer objetivos não é minha cara.


Eu mudo todo dia (ou será que todo dia me muda?)


quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

It's cause of these things...


The problem is to be an overthinker, you know?


I analyze too much, I obsess about the outcomes, but, let's face it, reality is hardly never as poethic as the movies. Reality has always that slightly pathethic aura. In the end, I always find myself wondering: This lightening isn't pretty enough, the words came out in a very clumsy way, my hair was all messed up. I try to find those perfect moments. But they are never there. At least not in the way I pictured them.


So, often I decide not to care. But it never lasts, you know? Because, the thing is, I do care... and I try to be, as hard as I can, invincible and cold blooded. But that's just not my nature. I'm a romantic, childish idealist. And I care for things... and I can't be reckless, no matter how hard I try to.


I just believe things should be felt. But I can't feel it unless I think about it. That's the problem. I can't just feel. That's why, I'm not explicit about my fellings at all. That's why I keep on hiding them. I always hide them because I can't stop thinking of what I might loose, I can't stop guessing the outcome. And I just can't stop picturing the worst case scenario.


"Does it break my heart, of course, every moment of every day, into more pieces than my heart was made of, I never thought of myself as quiet, much less silent, I never thought about things at all, everything changed, the distance that wedged itself between me and my happiness wasn't the world, it wasn't the bombs and burning buildings, it was me, my thinking, the cancer of never letting go, is ignorance bliss, I don't know, but it's so painful to think, and tell me, what did thinking ever do for me, to what great place did thinking ever bring me? I think and think and think, I've thought myself out of happiness one million times, but never once into it."


This is from Extremely Loud and Incredibly Close, by Jhonathan Safram Foer, one of my favourite books ever. And it describes my mood for the moment.


I just can't stop feeling, that, unless I stop wondering, it's all going downhill.